Considerações de fim de ano: Biologia 2025
Balanço geral 2025: o fim do ano oferece à ciência um momento privilegiado de reflexão. Entre avanços, desafios acadêmicos e disputas políticas, a biologia reafirma seu papel central na compreensão da vida e na construção de futuros sustentáveis.

Considerações de fim de ano: ciência, política e o futuro comum
19/12/2025 :: Marco Pozzana, biólogo
O encerramento de mais um ano nos convida a um exercício de balanço. Entre avanços científicos e tensões políticas persistentes, a biologia reafirma seu papel estratégico na compreensão da vida, na gestão dos ecossistemas e na formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade ética do conhecimento biológico diante de um planeta em rápida transformação.
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Avanços científicos e novos horizontes da pesquisa biológica
Ao longo do ano, a biologia consolidou tendências. Por um lado, técnicas ômicas, biologia de sistemas e inteligência artificial ampliaram a capacidade de integrar dados complexos e revelar padrões antes invisíveis. Por outro, áreas clássicas, como ecologia, zoologia e botânica, ganharam novo fôlego ao dialogar com crises contemporâneas, sobretudo a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas (IPBES, 2019).
Além disso, estudos recentes reforçaram a interdependência entre diversidade biológica, saúde humana e estabilidade dos ecossistemas, conceito sintetizado na abordagem One Health (Destoumieux-Garzón et al., 2018). Assim, a biologia evidencia que não se trata apenas de compreender organismos isolados, mas de interpretar redes vivas em constante interação.
“O futuro da humanidade será decidido pela forma como tratamos os sistemas vivos dos quais dependemos.”
(Rockström et al., 2009)
O cenário acadêmico: desafios estruturais e resistência intelectual
Entretanto, apesar dos avanços o ambiente acadêmico segue tensionado. A escassez de financiamento, a precarização de carreiras científicas e a pressão por produtividade quantitativa continuam a afetar laboratórios e universidades. Ainda assim, a comunidade biológica demonstrou resiliência, mantendo a produção científica e fortalecendo redes colaborativas internacionais (Nature Editorial, 2025).

Paralelamente, cresce a valorização da informação aberta, da divulgação científica e do diálogo com a sociedade. Esse movimento não apenas amplia o impacto do conhecimento, mas também protege as ciências biológicas contra o isolamento institucional e o negacionismo científico, cada vez mais presente no debate público.
“Os cientistas não podem se dar ao luxo de permanecer neutros diante de ameaças existenciais à vida no planeta.”
Lubchenco, J. (1998). Entering the Century of the Environment. Science.
Biologia, política e responsabilidade social no limiar de um novo ano
No campo político, a biologia permanece no centro de decisões estratégicas. Políticas ambientais, conservação da biodiversidade, biossegurança e saúde pública dependem diretamente de evidências biológicas sólidas. Relatórios globais mostram que a degradação dos sistemas naturais não é apenas um problema ecológico, mas também econômico e social (IPCC, 2023).

“Quando a ciência é politizada, o conhecimento perde legitimidade pública, ainda que permaneça epistemologicamente sólida.”
Portanto, ao final do ano, a biologia reafirma seu compromisso com a ética, a sustentabilidade e a defesa da vida em todas as suas formas. Mais do que produzir dados, cabe aos biólogos participar ativamente do debate público, traduzir ciência em políticas eficazes e cultivar uma visão de longo prazo. Afinal, o futuro comum da humanidade permanece profundamente enraizado na compreensão — e no respeito — aos sistemas vivos.
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Fontes e referências:
- Destoumieux-Garzón, D. et al. (2018). The One Health Concept: 10 Years Old and a Long Road Ahead. Frontiers in Veterinary Science.
- IPBES. (2019). Global Assessment Report on Biodiversity and Ecosystem Services.
- IPCC. (2023). AR6 Synthesis Report: Climate Change 2023.
- Nature Editorial. 2025 in review. Nature.










