Prioridades na conservação da fauna brasileira
Prioridades na conservação da fauna brasileira: a conservação da fauna brasileira é essencial para manter o equilíbrio dos ecossistemas e garantir a sobrevivência das espécies, inclusive a humana. Animais desempenham papéis vitais, como controle de pragas, polinização e dispersão de sementes, entre outros serviços ecossistêmicos fundamentais.

Prioridades na conservação da fauna brasileira
14/5/2025 :: por Josué Fontana
A biodiversidade brasileira é das mais ricas do planeta. Com seus vastos biomas – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal – o Brasil abriga uma diversidade faunística que o torna protagonista nos debates globais sobre conservação. No entanto, essa exuberância biológica enfrenta ameaças crescentes e complexas. Para assegurar a sobrevivência da fauna brasileira, é fundamental estabelecer prioridades claras, embasadas em critérios científicos, ecológicos e socioeconômicos.

Em primeiro lugar, quando falamos em proteção da fauna, a prioridade é a preservação dos habitats naturais. A destruição de ecossistemas – principalmente por desmatamento, expansão agropecuária e urbanização – é a principal causa de perda de biodiversidade como um todo. Preservar e restaurar áreas naturais, com ênfase em corredores ecológicos e zonas de amortecimento, é essencial para garantir a conectividade entre populações animais e evitar o isolamento genético.
Proteger espécies em perigo de extinção
Em seguida, destaca-se a proteção de espécies ameaçadas. O Brasil possui centenas de espécies em risco de extinção, muitas das quais endêmicas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Programas de manejo, reprodução em cativeiro, reintrodução e vigilância populacional devem ser fortalecidos, priorizando espécies-chave para os ecossistemas ou que possuam alto valor cultural e ecológico.
A perda da biodiversidade afeta diretamente os recursos naturais e a qualidade de vida.
Outro eixo prioritário é o combate à caça ilegal e ao tráfico de animais silvestres. Esta prática cruel e persistente não apenas ameaça populações inteiras de animais, mas também representa um risco à saúde pública e à segurança ecológica. Investimentos em fiscalização, inteligência ambiental e educação da população são ferramentas indispensáveis no enfrentamento dessa chaga.
Investimento na ciência
A ciência e o monitoramento ambiental são igualmente cruciais. Sem dados atualizados e confiáveis, políticas públicas tendem a ser ineficazes ou mal direcionadas. Incentivar a pesquisa em zoologia, ecologia, genética da conservação e etnobiologia permite identificar padrões de declínio populacional, detectar espécies não contempladas pelo conhecimento científico e formular estratégias mais precisas.

A educação ambiental e o engajamento comunitário também merecem destaque. A conservação não pode ser uma agenda imposta de cima para baixo: é necessário dialogar com as comunidades locais, respeitar saberes tradicionais e promover a corresponsabilidade pela fauna. Povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares devem ser reconhecidos como aliados estratégicos na proteção da biodiversidade.
Nesse sentido, promover modelos sustentáveis de uso da fauna pode ser uma ponte entre conservação e desenvolvimento. A criação de reservas extrativistas, o incentivo à observação de fauna (como o birdwatching) e a valorização de produtos da sociobiodiversidade são exemplos de como a fauna pode gerar renda e consciência ambiental simultaneamente.

Por fim, é imperativo fortalecer as políticas públicas e a governança ambiental. Isso inclui o financiamento adequado de órgãos ambientais, a aplicação rigorosa das leis existentes e a valorização de instrumentos como o Cadastro Nacional de Espécies Ameaçadas, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e os planos de ação territorial.
Considerações finais

A conservação da fauna brasileira é, portanto, um desafio multidimensional. Envolve ciência, cultura, política e ética. Exige sensibilidade para o valor intrínseco dos seres vivos e firmeza diante dos interesses que ameaçam o equilíbrio ecológico. Mais do que proteger espécies, trata-se de preservar a teia complexa da vida e o próprio futuro da humanidade.
Em conclusão, o tempo é de agir com urgência e sabedoria. As decisões que tomarmos agora determinarão o legado que deixaremos para as próximas gerações. Que a riqueza natural do Brasil não se transforme apenas em lembrança, mas em fonte contínua de vida, beleza e equilíbrio. Proteger a fauna é investir no futuro do planeta.
Fontes e referências:
- SiBBr – Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira
- Alves, D.M.C.C. and Brito, D. 2013. Priority mammals for biodiversity conservation in Brazil. Tropical Conservation Science. Vol 6(4): 558-583.










