Problemas dos Oceanos: embora vastos e aparentemente intocados, os oceanos enfrentam pressões crescentes causadas pela atividade humana. Poluição, sobrepesca e mudanças climáticas, entre outras ameaças, estão comprometendo sua saúde e biodiversidade. Preservar os mares tornou-se, portanto, um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo.
Os Maiores Problemas dos Oceanos
10/7/2025 :: por Marco Pozzana, biólogo
Os oceanos, que cobrem cerca de 70% da superfície do planeta, sustentam uma complexa rede de vida, regulam o clima global e provêm recursos essenciais para bilhões de pessoas. No entanto, apesar de sua vastidão, os mares vêm enfrentando crescentes ameaças que comprometem sua saúde ecológica e sua capacidade de suportar a vida terrestre e marinha. Entre esses problemas, destacam-se a acidificação dos oceanos, a poluição por plásticos, a sobrepesca, a destruição de habitats marinhos e o aquecimento global, todos interligados por uma teia de causas antropogênicas que demandam atenção urgente.
Oceanos em Crise: os maiores desafios do século azul
Em primeiro lugar, a acidificação dos oceanos, causada principalmente pela absorção de dióxido de carbono (CO₂) atmosférico, vem alterando profundamente a química marinha. Desde o início da Revolução Industrial, os mares absorveram cerca de 30% do CO₂ emitido pelas atividades humanas, resultando em uma redução significativa do pH da água do mar (IPCC, 2023). Como consequência, organismos calcificantes, como corais, moluscos e plâncton, enfrentam dificuldades em formar suas estruturas esqueléticas, afetando toda a cadeia alimentar marinha.
Além disso, a poluição por plásticos transformou-se em um dos desafios mais visíveis e disseminados. Estima-se que mais de 11 milhões de toneladas de plástico entrem nos oceanos a cada ano (Borrelle et al., 2020). Esses resíduos, ao se fragmentarem em micro e nanoplásticos, não apenas afetam a estética das praias e a saúde da fauna marinha, mas também introduzem compostos tóxicos nos organismos, muitos dos quais entram na dieta humana por meio da bioacumulação.
Ao mesmo tempo, a sobrepesca tem esgotado populações inteiras de peixes, alterando o equilíbrio ecológico e ameaçando a segurança alimentar de milhões de pessoas que dependem diretamente da pesca para sua subsistência. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, 2022) estima que cerca de 35% dos estoques pesqueiros globais estejam atualmente superexplorados. Práticas como a pesca de arrasto, que devasta o fundo marinho, e a captura incidental, que mata espécies não-alvo, contribuem para um colapso progressivo dos ecossistemas marinhos.
Destruição de habitats marinhos e aquecimento dos oceanos
A destruição de habitats marinhos, como recifes de coral, manguezais e pradarias submarinas, agrava ainda mais esse quadro. Esses ecossistemas, além de oferecerem abrigo e alimento a inúmeras espécies, atuam como barreiras naturais contra tempestades e como sumidouros de carbono. No entanto, o avanço da urbanização costeira, a poluição industrial, o turismo desregulado e a aquicultura intensiva comprometem sua integridade. Por exemplo, estima-se que mais de 50% dos recifes de coral do mundo já estejam degradados ou em risco iminente (Spalding et al., 2021).
Finalmente, outro fator crítico é o aquecimento dos oceanos, impulsionado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa. A elevação da temperatura da água afeta diretamente os padrões migratórios de espécies marinhas, desencadeia eventos de branqueamento de corais e intensifica a ocorrência de tempestades tropicais (Hoegh-Guldberg et al., 2019). Ademais, o derretimento das calotas polares e a consequente elevação do nível do mar ameaçam comunidades costeiras em todo o globo, exacerbando desigualdades sociais e forçando deslocamentos populacionais.
Para refletir e buscar soluções
É importante destacar que todos esses fatores interagem entre si de forma sinérgica. Por exemplo, a acidificação e o aquecimento dos oceanos comprometem simultaneamente a fisiologia dos organismos marinhos e a estabilidade dos habitats, enquanto a poluição por plásticos interfere na fotossíntese do fitoplâncton e altera a composição microbiana da água. Dessa forma, os impactos não se acumulam apenas, mas frequentemente se amplificam mutuamente, criando uma espiral de degradação que exige respostas integradas e multidimensionais.
Da mesma forma, do ponto de vista socioeconômico, os danos aos oceanos comprometem setores como a pesca, o turismo e o transporte marítimo. Desse modo, muitas comunidades costeiras, especialmente em países em desenvolvimento, veem sua resiliência ameaçada pela escassez de recursos marinhos e pela vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Assim, proteger os oceanos não é apenas uma questão ambiental, mas também humanitária e estratégica.
Soluções
Com efeito, frente a esse cenário, a ciência oferece caminhos viáveis de mitigação e adaptação. Nesse sentido, a criação de áreas marinhas protegidas, a regulação rigorosa da pesca industrial, a transição para materiais biodegradáveis, o investimento em tecnologias de captura de carbono e a restauração de ecossistemas costeiros representam medidas promissoras. Contudo, tais ações exigem vontade política, cooperação internacional e participação ativa da sociedade civil.
Em síntese, os maiores problemas enfrentados pelos oceanos derivam da pressão cumulativa das atividades humanas, mas sua reversão depende igualmente da ação humana consciente. Proteger os mares é proteger a nós mesmos, pois sem oceanos saudáveis não há futuro viável para a vida no planeta. A urgência é real, o conhecimento está disponível e os caminhos estão abertos — o que falta, sobretudo, é compromisso coletivo.
Fontes e referências:
- Borrelle, S. B., et al. (2020). Predicted growth in plastic waste exceeds efforts to mitigate plastic pollution. Science, 369(6510), 1515–1518.
- FAO. (2022). The State of World Fisheries and Aquaculture 2022. Food and Agriculture Organization of the United Nations.
- Hoegh-Guldberg, O., et al. (2019). The Ocean as a Solution to Climate Change: Updated Opportunities for Action. World Resources Institute. [PDF]
- IPCC. (2023). Sixth Assessment Report. Intergovernmental Panel on Climate Change.