Dia Mundial do Habitat: celebrado anualmente na primeira segunda-feira de outubro, relaciona-se com as ciências biológicas ao abordar a interação entre os seres humanos e os ecossistemas urbanos, destacando como o ambiente influencia a saúde, o comportamento e a qualidade de vida.
Dia Mundial do Habitat: cidades que respeitem o meio ambiente
6/10/2025 :: por Josué Fontana
Ao refletirmos sobre os múltiplos desafios do século XXI, torna-se impossível ignorar a centralidade da questão urbana e da moradia no debate global. Nesse contexto, o Dia Mundial do Habitat representa não apenas uma oportunidade para avaliar o estado das cidades ao redor do mundo, mas também um momento propício para reafirmar o direito fundamental de todos a um lugar digno para viver.
A ocupação desordenada do solo afeta a biodiversidade, fragmenta habitats naturais e compromete serviços ecossistêmicos essenciais, como a purificação da água e do ar. Por isso, a biologia urbana estuda como espécies adaptam-se às cidades e como desequilíbrios ambientais podem favorecer surtos de doenças. Assim, compreender os princípios biológicos é essencial para planejar habitats humanos sustentáveis e integrados à natureza.
O estado das cidades e o direito básico de todos a um abrigo adequado
Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1985, este dia foi concebido com o intuito de chamar a atenção da comunidade internacional para a condição dos assentamentos humanos e o direito universal à habitação adequada. Sob essa perspectiva, é importante destacar que, embora muitos países tenham registrado avanços notáveis em termos de infraestrutura, planejamento urbano e acesso a serviços básicos, ainda há uma parcela significativa da população mundial que vive em condições precárias. Favelas, cortiços, ocupações irregulares e moradias improvisadas são realidades cotidianas em diversas regiões do planeta — desde os subúrbios das grandes metrópoles latino-americanas até os bairros periféricos das cidades africanas e asiáticas.
Nesse sentido, o Dia Mundial do Habitat nos convida a refletir não apenas sobre onde as pessoas vivem, mas também como vivem. Pois, se é verdade que a cidade é um espaço de oportunidades, inovação e convivência, também é verdade que ela pode se tornar um ambiente hostil e excludente quando o crescimento urbano ocorre de forma desordenada, sem planejamento sustentável, e sem considerar os direitos dos seus habitantes. Assim, torna-se essencial pensar em cidades que não apenas abriguem, mas que acolham; que não apenas contenham pessoas, mas que as integrem com dignidade, segurança e bem-estar.
A cidade como um organismo vivo e complexo
Ademais, é necessário compreender que a discussão sobre habitat não se restringe à moradia em si, mas engloba aspectos mais amplos como mobilidade urbana, saneamento básico, gestão de resíduos, acesso à água potável, áreas verdes, espaços de convivência e inclusão social. Em outras palavras, trata-se de considerar a cidade como um organismo vivo e complexo, cujas partes devem funcionar de maneira harmoniosa para que todos possam exercer plenamente sua cidadania.
Além disso, ao abordar o tema do habitat, não podemos deixar de considerar os impactos das mudanças climáticas e das crises ambientais sobre os assentamentos humanos. Enchentes, deslizamentos, ondas de calor e elevação do nível do mar afetam de maneira desproporcional as populações mais pobres, frequentemente instaladas em áreas de risco e desprovidas de infraestrutura adequada. Por isso, torna-se cada vez mais urgente pensar em cidades resilientes, capazes de se adaptar aos novos cenários climáticos e de proteger suas populações mais vulneráveis.
O Dia Mundial do Habitat, portanto, também é uma plataforma para a promoção da Agenda 2030 da ONU. Especialmente do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 11, que visa “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Para que tal meta se torne realidade, é imprescindível o envolvimento de todos os setores da sociedade: governos, organizações internacionais, instituições acadêmicas, setor privado e, sobretudo, a própria população, cuja participação ativa é essencial para a construção de políticas urbanas eficazes e legítimas.
Assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
A cada ano, a ONU-Habitat propõe um tema central para a celebração do dia, destacando questões relevantes como moradia acessível, cidades inteligentes, mobilidade urbana sustentável, inclusão digital, entre outros. Essa dinâmica temática permite que os debates sejam sempre atualizados, respondendo aos desafios emergentes e incentivando o intercâmbio de boas práticas entre países e cidades.
Fontes e referências:
- Important Biology Days – bankofbiology.com/
- World Habitat Day | United Nations – un.org › observances