Pirarucu, um exemplo na conservação
Pirarucu, um exemplo na conservação: Os Peixes de água doce são os mais ameaçados do Brasil. Todavia, enquanto a diversidade desses peixes encontra-se cada vez mais dramática, uma é exemplo na conservação no Brasil: o Pirarucu (Arapaima gigas).
Pirarucu, um exemplo na conservação
27/7/2021 :: Por Sarah Schmidt/Pesquisa Fapesp
Um caminho para garantir a subsistência das espécies de água doce parece ser a proteção territorial protagonizada pelas comunidades locais.

O manejo do pirarucu, que quase foi extinto no final do século XX em consequência da pesca predatória, é um exemplo valioso desenvolvido pelo Instituto Mamirauá há cerca de duas décadas.
“Apesar da tendência mundial de declínio da megafauna de água doce, podemos dizer que a Amazônia tem seguido um padrão reverso, no qual a recuperação de algumas espécies tem sido possível graças a esse trabalho de proteção dos lagos por comunidades locais”, avalia o biólogo João Campos-Silva, em estágio de pós-doutorado na Universidade Norueguesa de Ciências da Vida e diretor-geral do Instituto Juruá, com sede em Manaus.
O caso do pirarucu

Os manejadores constroem casas de madeira na entrada dos lagos e passam a proteger a área 24 horas por dia, em um trabalho de revezamento semanal entre as famílias das comunidades locais, que fiscalizam todos os pontos de acesso para impedir a ação de pescadores ilegais.
Na região do médio Juruá, um lago protegido tem em média 500 pirarucus, comparados a apenas nove indivíduos em lagos sem proteção.
O trabalho de manejo comunitário provocou o crescimento de 425% das populações de pirarucu nas águas barrentas do rio Juruá em um período de 11 anos, conforme artigo publicado na revista Freshwater Biology em abril de 2019, do qual Campos-Silva é o principal autor. A pesca do pirarucu é proibida onde ele é nativo, mesmo fora dos locais de manejo.
“O pirarucu é um grande símbolo para o desenvolvimento local na Amazônia”, afirma Campos-Silva.
“Cerca de 4 mil pessoas protegem mais de 3 mil ambientes aquáticos, gerando resultados impressionantes para a conservação da biodiversidade e o bem-estar local, incluindo geração de renda, segurança alimentar, melhorias na infraestrutura das comunidades e organização social.”
Fonte: Peixes de água doce, os mais ameaçados do Brasil/Revista Fapesp CC BY-ND 4.0
Estudos e referências:
- Pereira-Filho, Manoel; Cavero, Bruno Adan Sagratzki; Roubach, Rodrigo; Ituassú, Daniel Rabello; Gandra, André Lima; Crescêncio, Roger (2003). «Cultivo do pirarucu (Arapaima gigas) em viveiro escavado». Acta Amazonica.
- Brandão, Franmir Rodrigues; de Carvalho Gomes, Levy; Chagas, Edsandra Campos (2006). «Respostas de estresse em pirarucu (Arapaima gigas) durante práticas de rotina em piscicultura». Acta Amazonica.