Nutrição e Fisiologia
Nutrição e Fisiologia: A biologia da nutrição como base da fisiologia humana. Uma abordagem biológica sobre os processos que sustentam a vida e a saúde.
Nutrição e Fisiologia: Um Enlace Vital na Biologia Humana

13/6/2025 :: por Marco Pozzana, biólogo
A biologia, como ciência da vida, encontra um de seus eixos fundamentais na compreensão da nutrição. Desde os primeiros organismos unicelulares até o ser humano moderno, a nutrição tem guiado processos adaptativos, estruturais e metabólicos. No corpo humano, ela transcende o simples ato de alimentar-se. Ela é, acima de tudo, um elo dinâmico entre o meio ambiente e a fisiologia interna.

Para compreender esse elo, é essencial reconhecer o papel dos nutrientes. Carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, sais minerais e água não apenas fornecem energia. Eles também regulam funções celulares, sustentam tecidos e mantêm o equilíbrio homeostático. Cada nutriente desempenha funções específicas. E todos interagem em redes complexas de regulação metabólica.
“Que o alimento seja o teu remédio e que o remédio seja o teu alimento.”
– Hipócrates, médico grego
Nutrientes e o Corpo em Equilíbrio: Mecanismos Biológicos da Nutrição
Os carboidratos, por exemplo, são fontes rápidas de energia. No entanto, sua função não se restringe à produção de ATP. Eles participam da sinalização celular e da composição de estruturas como glicoproteínas. A glicose, em particular, é vital para o cérebro. Sem ela, a função neuronal rapidamente declina.
As proteínas, por sua vez, são pilares estruturais. Estão presentes em músculos, enzimas, hormônios e anticorpos. Além disso, participam da regulação gênica e da resposta imunológica. A deficiência proteica compromete o crescimento, a cicatrização e a imunidade. Portanto, a ingestão adequada de aminoácidos essenciais é indispensável.
Já os lipídios exercem funções vitais na composição das membranas celulares. Também atuam como reservas energéticas e precursores hormonais. Ácidos graxos essenciais, como o ômega-3, influenciam processos inflamatórios, cardiovasculares e neurológicos. A qualidade da gordura ingerida, portanto, importa tanto quanto a quantidade.
As vitaminas, embora exigidas em pequenas quantidades, são cruciais. A vitamina C, por exemplo, atua na síntese de colágeno e na defesa antioxidante. Já a vitamina D regula o metabolismo do cálcio e influencia a expressão gênica. Sem elas, as reações metabólicas tornam-se ineficientes ou perigosamente lentas.
Os sais minerais, por outro lado, funcionam como cofatores enzimáticos. O ferro transporta oxigênio, o cálcio participa da contração muscular e o magnésio estabiliza o DNA. Assim, a carência de minerais afeta a vitalidade, a cognição e o equilíbrio hidroeletrolítico.

Além disso, a água, muitas vezes negligenciada, é absolutamente indispensável. Ela regula a temperatura corporal, transporta substâncias, lubrifica articulações e permite reações químicas. A desidratação, mesmo leve, reduz a capacidade cognitiva e o desempenho físico.
Bases Biológicas da Nutrição e da Fisiologia Humana
Entretanto, a fisiologia humana não responde apenas à ingestão. Depende também da digestão, da absorção e da distribuição dos nutrientes. O sistema digestório, com sua complexidade, exemplifica a harmonia entre estrutura e função. Da boca ao intestino delgado, cada segmento cumpre tarefas precisas. Enzimas degradam os macronutrientes. Ácidos solubilizam minerais. Transporte ativo e difusão facilitada conduzem os nutrientes ao sangue.

O fígado, nesse contexto, funciona como uma estação central. Ele metaboliza, armazena e distribui os nutrientes conforme as demandas. Além disso, desintoxica substâncias potencialmente perigosas. Por isso, doenças hepáticas comprometem o equilíbrio nutricional de modo profundo.
Por outro lado, o sistema endócrino regula a utilização dos nutrientes. Insulina e glucagon controlam a glicemia. Hormônios tireoidianos ajustam o metabolismo basal. A leptina e a grelina influenciam o apetite. Desse modo, a fisiologia energética está em constante adaptação às variações alimentares e ambientais.
No entanto, a modernidade introduziu desequilíbrios. O excesso de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras, alterou profundamente o metabolismo humano. Isso favoreceu a obesidade, a resistência à insulina, o diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A biologia moderna, por isso, tem enfatizado a necessidade de intervenções baseadas em evidências científicas.
Longevidade e o papel social da biologia da nutrição
A fisiologia finalmente conquistou o controle sobre os nervos que estimulam as glândulas gástricas e o pâncreas.
Ivan Pavlov
Modelos experimentais e estudos populacionais revelam relações nítidas entre dieta e longevidade. Dietas ricas em vegetais, fibras e ácidos graxos insaturados associam-se a menor risco de doenças crônicas. Por outro lado, padrões alimentares ocidentais aumentam a inflamação sistêmica e o estresse oxidativo (Monteiro et al., 2019; Willett et al., 2019).
Ademais, o conceito de “nutrigenômica” ampliou a compreensão da interação entre dieta e genes. Hoje se sabe que certos alimentos modulam a expressão gênica. Por conseguinte, a nutrição não apenas previne doenças, mas também atua como ferramenta terapêutica. O futuro da biologia nutricional aponta para a personalização alimentar baseada no perfil genético individual.

Por fim, vale destacar a importância da educação alimentar. Crianças expostas a hábitos saudáveis têm maior probabilidade de manter padrões equilibrados na vida adulta. Nesse sentido, a biologia assume um papel social. Ela conecta conhecimento científico com práticas de saúde pública.
Em suma, a nutrição é uma interface entre ambiente, genes e fisiologia. Ao compreendê-la sob a ótica biológica, amplia-se a capacidade de promover saúde, prevenir doenças e restaurar o equilíbrio do organismo. Dessa forma, o estudo integrado da nutrição e da fisiologia humana representa uma das fronteiras mais promissoras e relevantes da Biologia contemporânea.
Fontes e referências:
- Monteiro, C. A. et al. (2019). Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, 22(5), 936–941.
- Willett, W. et al. (2019). Food in the Anthropocene: the EAT–Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems. The Lancet, 393(10170), 447–492.
- Guyton, A. C., & Hall, J. E. (2020). Tratado de Fisiologia Médica (14ª ed.). Elsevier.
- Gropper, S. S., & Smith, J. L. (2020). Advanced Nutrition and Human Metabolism (7ª ed.). Cengage Learning.

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