Philip M. Fearnside: a voz da ciência na Amazônia
Philip M. Fearnside transformou estudos científicos em argumentos que mudaram o debate sobre desenvolvimento na floresta. Nascido nos Estados Unidos, fez das florestas tropicais seu campo de pesquisa e sua causa. Conheça o biólogo que virou referência mundial na defesa da Amazônia.

Philip M. Fearnside: a voz da ciência na Amazônia
11/8/2025 :: Marco Pozzana, biólogo
Philip Martin Fearnside é um dos mais influentes biólogos do Brasil. Desde a década de 1970, vive em Manaus, onde construiu uma carreira dedicada à defesa das florestas tropicais. Sua obra combina rigor acadêmico e engajamento social, sempre buscando soluções que unam desenvolvimento e conservação.

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Ao chegar ao Brasil, já possuía sólida formação. Concluiu bacharelado em Biologia na Universidade do Colorado. Em seguida, fez mestrado e doutorado em Ciências Biológicas na Universidade de Michigan. Assim, sua vinda para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em 1978, marcou o início de uma trajetória que cruzou fronteiras acadêmicas e políticas.
“O Brasil deve acordar para a importância da floresta amazônica e tomar as difíceis decisões políticas necessárias para mantê-la”.
– Philip Fearnside
Pesquisa e defesa da Amazônia
Desde o início, Fearnside investigou o desmatamento com precisão metodológica. Ele analisou causas, padrões espaciais e impactos ecológicos. Além disso, mostrou como estradas, pastagens e agricultura impulsionam a perda de floresta. Com frequência, também destacou os efeitos sociais, como deslocamento de comunidades e perda de recursos tradicionais.
No entanto, sua atuação não se limitou a mapear problemas. Ele foi pioneiro em quantificar as emissões de carbono resultantes da derrubada da floresta. Dessa forma, demonstrou que a conversão da Amazônia libera enormes quantidades de gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Por conseguinte, suas descobertas influenciaram inventários nacionais e políticas climáticas internacionais.

Outro eixo central de seu trabalho é a análise de grandes empreendimentos na região. Hidrelétricas, como Balbina e Belo Monte, tornaram-se objetos de seus estudos críticos. Fearnside evidenciou impactos ambientais subestimados e questionou a real eficiência desses projetos para gerar energia limpa. Ao mesmo tempo, apresentou alternativas mais sustentáveis.
Assim, sua pesquisa combina ecologia, economia e sociologia. Com isso, oferece um retrato amplo da complexa rede de forças que molda a Amazônia. Por isso, tornou-se referência para governos, ONGs e organizações internacionais.
“(…) Uma vez que tenhamos os resultados em mãos, devemos estar prontos para interpretá-los em termos de recomendações políticas e apresentar os argumentos ao público e aos tomadores de decisão. “
– Philip Fearnside
Influência política e científica
Fearnside está entre os mil cientistas mais influentes do mundo na área de mudanças climáticas e o primeiro dos cinco listados no Brasil em ranking feito pela Reuters. Mas seu prestígio de vai além da academia. Ele participa de painéis científicos internacionais, colabora com relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e é amplamente citado por pesquisadores de todo o mundo. No Brasil, atua como consultor em estudos de impacto ambiental e oferece pareceres técnicos para decisões governamentais.

O prestígio de Fearnside vai além da academia. Participa de painéis científicos internacionais e colabora com relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Além disso, é amplamente citado por pesquisadores de todo o mundo. No Brasil, atua como consultor em estudos de impacto ambiental e oferece pareceres técnicos para decisões governamentais.
Ao longo das décadas, publicou centenas de artigos, capítulos e relatórios. Esses trabalhos reúnem dados de campo, análises espaciais e interpretações consistentes. Portanto, conectam ciência pura e aplicada de maneira exemplar.
Contudo, seu ativismo científico também gerou críticas de setores ligados à exploração intensiva dos recursos naturais. Ainda assim, Fearnside manteve coerência e baseou suas posições em evidências sólidas. Desse modo, conquistou prêmios e reconhecimentos, como o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente e o título de Pesquisador Emérito do CNPq.
Ademais, sua presença na mídia é constante. Ele concede entrevistas, escreve artigos de opinião e participa de debates. Assim, mantém vivo o diálogo entre ciência e sociedade.
“Globalmente, o petróleo e o gás devem ser eliminados rapidamente para conter a mudança climática. E, na Amazônia, deve ser mais rápido do que em qualquer outro lugar por causa dos danos ambientais”
– Philip Fearnside“
Legado e visão de futuro
O legado de Fearnside combina produção científica e impacto social. Ele formou novos pesquisadores e criou redes de colaboração. Além disso, contribuiu para inserir a Amazônia no centro das discussões climáticas globais.
Para ele, conservar a Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas também estratégica. A floresta regula o clima, mantém a biodiversidade e sustenta economias locais. Portanto, sua preservação interessa não apenas ao Brasil, mas ao planeta.

Mesmo após décadas de atuação, Fearnside continua ativo. Publica, concede entrevistas e participa de eventos. Assim, sua mensagem permanece clara: a Amazônia é um patrimônio vivo, e sua perda seria um prejuízo irreversível. Defender essa floresta é, portanto, defender o próprio futuro.
Por fim, a história de Philip M. Fearnside mostra que ciência e coragem podem caminhar juntas. Ao unir dados e convicção, ele se tornou exemplo de como o trabalho científico pode influenciar decisões e proteger o meio ambiente.
Fontes e referências:
- Fearnside, P. M. (2005). Deforestation in Brazilian Amazonia: History, rates, and consequences. Conservation Biology, 19(3), 680–688. https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00697.x
- Fearnside, P. M. (2004). Greenhouse gas emissions from hydroelectric dams: Controversies provide a springboard for rethinking a supposedly “clean” energy source. Climatic Change, 154, 51–62. https://doi.org/10.1023/B:CLIM.0000043174.02841.23
- Fearnside, P. M. (2017). Deforestation of the Brazilian Amazon. In H. Shugart et al. (Eds.), Oxford Research Encyclopedia of Environmental Science. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acrefore/9780199389414.013.102
- Fearnside, P. M. (2018). Challenges for sustainable development in Brazilian Amazonia. Sustainability, 10(6), 1910. https://doi.org.10.1002/sd.1725

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