Zoologia é a ciência dedicada ao estudo os animais. Assim, esta área clássica e fascinante da biologia, dedica-se ao estudo dos animais em toda a sua diversidade estrutural, funcional, ecológica e evolutiva. Nesse artigo vamos mostrar a relevância deste ramo científico abrangente.
Zoologia, o estudo da diversidade animal
5/7/2025 :: por Josué Fontana
Mesmo que suas raízes remontem à Antiguidade, foi a sistematização proposta por Lineu, no século XVIII, que consolidou a base classificatória usada — embora bastante modificada — até os dias atuais. Segundo ele, os animais pertencem a um dos cinco reinos, o Reino Animalia, ou Metazoa, composto por organismos eucariontes, heterotróficos, multicelulares e com tecidos especializados.
Tradicionalmente, a classificação inclui os principais filos: Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes, Nematoda, Annelida, Mollusca, Arthropoda, Echinodermata e Chordata. Este último reúne os vertebrados, como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos — organismos dotados de notocorda em algum estágio do desenvolvimento. No entanto, avanços recentes na filogenia molecular têm revelado relações mais complexas entre os grupos animais, levando a revisões profundas na taxonomia tradicional (Edgecombe et al., 2011).
Entender a estrutura e função das células animais é fundamental para as ciências biológicas. Essas similaridades e diferenças entre os tipos de célula são particularmente relevantes para a biologia molecular.
Zoologia e Evolução: conexões entre forma, função e ancestralidade
Por conseguinte, a Zoologia não se limita à classificação. Seu escopo ampliou-se com o tempo, incorporando áreas como fisiologia, ecologia, genética, biologia celular, biologia do desenvolvimento e etologia. No final do século XIX, surgiram divisões como a zoofísica e a morfografia, precursoras da moderna integração entre diferentes ramos da biologia.
William Harvey De Motu Cordis – Veias do braço. fisiologia
A biologia celular, por exemplo, fornece bases fundamentais para compreender os tecidos animais. Ela investiga, em nível microscópico e molecular, as propriedades estruturais e fisiológicas das células, sua interação com o ambiente e seu papel nos processos vitais. Essa abordagem é essencial tanto no estudo de organismos unicelulares quanto em células especializadas de organismos multicelulares, como os humanos (Alberts et al., 2022).
Além disso, a anatomia analisa as estruturas macroscópicas — órgãos e sistemas — permitindo compreender como diferentes partes do corpo se organizam. Já a fisiologia, em íntima conexão com a anatomia, investiga os processos bioquímicos, físicos e mecânicos que sustentam a vida. Nesse campo, destaca-se o princípio da relação entre estrutura e função: cada órgão evolui de forma a otimizar sua atuação no organismo (Widmaier et al., 2023).
Ainda nesse contexto, muitos estudos fisiológicos extrapolam os limites entre os reinos. Por exemplo, processos celulares observados em leveduras muitas vezes oferecem pistas valiosas para o funcionamento de células humanas, evidenciando a universalidade de certos mecanismos biológicos. Isso demonstra que, embora a fisiologia vegetal e animal sigam caminhos distintos, ambas compartilham fundamentos bioquímicos comuns.
No caso específico da fisiologia animal, o foco recai sobre sistemas como o nervoso, o endócrino, o imunológico, o circulatório e o respiratório. A compreensão de como essas estruturas se comunicam e interagem entre si é vital para o entendimento da homeostase e da adaptação às mudanças ambientais. E não apenas nos humanos: os mesmos princípios se aplicam a organismos tão diversos quanto polvos, aves ou mamíferos marinhos.
Outro pilar da Zoologia é a biologia evolutiva. Esta área investiga a origem das espécies, suas relações filogenéticas e as transformações que ocorrem ao longo do tempo. Para tanto, emprega evidências da paleontologia, da genética de populações e da morfologia comparada. O registro fóssil, por exemplo, permite estimar o tempo de divergência entre grupos e compreender extinções e radiações adaptativas (Futuyma & Kirkpatrick, 2017).
Diversas subáreas zoológicas, como a ornitologia, a herpetologia e a mamalogia, utilizam espécies-modelo para investigar questões evolutivas amplas. Assim, a diversidade animal torna-se ferramenta para o avanço do conhecimento biológico como um todo. Ao mesmo tempo, a sistemática zoológica fornece o alicerce organizacional para essa diversidade, agrupando organismos segundo critérios morfológicos, genéticos e ecológicos.
Estudar para Proteger: a importância da Zoologia na era da perda da biodiversidade
Historicamente, a taxonomia seguiu os passos de Lineu, que propôs uma nomenclatura binomial para designar cada espécie — com o nome do gênero iniciando com letra maiúscula e o epíteto específico em minúscula, ambos em itálico ou sublinhados. Contudo, com o avanço da biologia molecular e da cladística, muitos cientistas passaram a considerar o antigo sistema de cinco reinos inadequado, propondo classificações mais precisas baseadas em dados filogenéticos (Adl et al., 2019).
Portanto, a Zoologia moderna transcende a simples descrição dos animais. Ela é uma ciência integradora, que conecta aspectos moleculares, morfológicos, fisiológicos, ecológicos e evolutivos. A compreensão da complexidade animal, nesse contexto, depende da articulação entre múltiplas disciplinas, cada uma contribuindo para revelar as tramas invisíveis da vida.
Em tempos de crise ambiental e acelerada perda da biodiversidade, estudar os animais tornou-se não apenas uma questão acadêmica, mas também um imperativo ético e ecológico. Afinal, compreender a diversidade é o primeiro passo para protegê-la.
Referências acadêmicas
Alberts, B., Johnson, A., Lewis, J., et al. (2022). Molecular Biology of the Cell (7th ed.). Garland Science.