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Importância das abelhas

Importância das abelhas como polinizadores: Há 20 anos bióloga defende os polinizadores para a manutenção de florestas nativas e a ampliação da produção agrícola.

Importância das abelhas

Nov/2019 :: por Carlos Fioravanti / Pesquisa FAPESP. CC BY-ND 4.0

Especialista em comportamento e ecologia de abelhas, a bióloga paulistana Vera Lucia Imperatriz Fonseca entrou em 1998 na luta em defesa dos polinizadores – principalmente abelhas, mas também vespas, besouros, moscas, morcegos e aves que transferem pólen de uma planta a outra ou às vezes em uma mesma planta, favorecendo o desenvolvimento de frutos.

Artimanhas das flores
Artimanhas das flores

Ela foi uma das coautoras da Declaração de São Paulo para os Polinizadores, que originou a Iniciativa Internacional para Uso Sustentável e Conservação dos Polinizadores (IPI) e integrou um documento da Convenção de Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas.

Depois de se aposentar do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), em 2003, Fonseca foi professora visitante do campus de Ribeirão Preto por dois anos e trabalhou outros dois no Instituto de Estudos Avançados, ambos da USP, e quatro na Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), em Mossoró, no Rio Grande do Norte, formando grupos de pesquisa e estimulando a criação de abelhas-indígenas sem ferrão.

Segundo a pesquisadora, somente no estado de São Paulo são mais de 700 espécies de abelhas

Abelhas ameaçadas com o Aquecimento Global
Abelhas ameaçadas com o Aquecimento Global.

Importância das abelhas como polinizadores

Em 2014, tornou-se uma das coordenadoras da Avaliação Polinizadores, Polinização e Produção de Alimentos da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que resultou em um documento aprovado em 2016 na Conferência das Partes (COP-13) da Convenção da Diversidade Biológica, realizada no México. Também em 2014, mudou-se para Belém (PA) e desde então coordena a equipe de biodiversidade do então recém-implantado Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS).

Vera Fonseca formou a coleção de abelhas no Departamento de Ecologia do IB-USP, atualmente com cerca de 50 mil exemplares, ampliou o conhecimento sobre as espécies nativas e promoveu a criação de abelhas-sem-ferrão, como a jandaíra (Melipona subnitida), como fonte de renda extra para pequenos proprietários rurais do Nordeste brasileiro.

Documentário Agroecologia
Documentário agroecologia

Aos 73 anos, tem trabalhado em estratégias de recuperação e conservação da biodiversidade de áreas atingidas pela mineração. Nesta entrevista, concedida em meio a uma de suas visitas à capital paulista, onde moram os quatro filhos e quatro netos, a bióloga conta de sua trajetória e do engajamento em defesa dos polinizadores. “Temos de falar sempre nesse assunto”, ela sugere. “Vai ser útil para todos.”

Entrevista com a bióloga Vera Lucia Imperatriz Fonseca

A senhora começou em 1998 a participar da elaboração de políticas para proteção de polinizadores no Brasil. Que balanço faz desses 20 anos?
Os debates sobre o uso de abelhas como polinizadores começaram na década de 2000 nos Encontros sobre Abelhas de Ribeirão Preto e estruturaram a Iniciativa Brasileira de Polinizadores, aprovada em 2000. A FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] coordenou o plano de ação aprovado em 2002, com uma agenda que deveria ser implementada até 2015. Avançamos muito, mas alguns problemas se acentuaram, como o efeito dos pesticidas sobre as abelhas e o impacto das mudanças climáticas. Em 2010, para atender a uma encomenda do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], reunimos 85 pesquisadores de 36 instituições brasileiras e fizemos o livro Polinizadores no Brasil.

>> Para ler a entrevista completa, acesse o artigo no site da Revista Fapesp > Vera Lucia Imperatriz Fonseca: O vasto mundo das abelhas

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