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O ambiente após a queda de Salles

O ambiente após a queda de Salles: como fica a proteção de nossas florestas após a queda do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, notório pelo desmonte e flexibilização das leis ambientais? É o que conversamos com a ex-presidente do IBAMA Maria Tereza Jorge Pádua, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. artigo original www.biologo.com.br

O Ambiente após a queda de Salles

28/6/2021 ::  Por Josué Fontana

Um dos alvos da operação Akuanduba da Polícia Federal, investigado por esquema de exportação ilegal de madeira, o polêmico ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles foi exonerado no dia 23 de junho.  E agora? Qual é a expectativa dos ambientalistas para a mudança na política ambiental do governo?

Desmatamento fora de controle
Desmatamento fora de controle. Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, Amazonas. © Vinícius Mendonça/Ibama

Para responder essa questão, falamos com a ambientalista e conservacionista brasileira Maria Tereza Pádua, membro da RECN e da UICN , do Conselho da Associação O Eco e ex-presidente do IBAMA.

1 – O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixou o cargo na semana passada. Como os ambientalistas veem seu substituto, Joaquim Alvaro Pereira Leite?

De maneira geral, não há uma expectativa de mudanças radicais na atuação do Ministério. O novo ministro, Joaquim Leite, também não é muito conhecido por sua atuação em favor do meio ambiente.

Desmatamento do Cerrado
Desmatamento do Cerrado

Como este é um tema importantíssimo para o nosso país, que inclusive coloca nosso futuro em risco, o ideal seria termos alguém à frente da pasta com grande conhecimento na área ambiental, de preferência comprometido com um modelo de desenvolvimento sustentável, que colocasse a conservação da natureza como uma prioridade e não um empecilho para as atividades econômicas. Mas vamos acompanhar a gestão do novo ministro com atenção e alguma esperança, pois a administração anterior foi muito ruim e mudanças precisam acontecer.

2 – Acredita que teremos neste ano incêndios florestais de grandes proporções, como os de 2020?

O ambiente após a queda de Salles
Floresta Nacional do Jamanxim, Pará. Operação de Fiscalização na Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Infelizmente os incêndios criminosos vem crescendo nos últimos anos. É motivo de grande preocupação para todos nós esse tipo de conduta, utilizada na maioria das vezes com o intuito de “limpar o terreno” para atividades econômicas. Esperamos que a prática criminosa seja desencorajada e sempre condenada pelo poder público. Para isso, precisamos de muita fiscalização e integração entre os diversos órgãos federais, estaduais e também municipais que cuidam do meio ambiente.

3 – Como anda a situação de nossas florestas e o que podemos fazer para ajudar?

Nossas florestas vêm sendo muito ameaçadas e precisam do apoio de todos nós. Proteger as áreas naturais que ainda existem é uma condição essencial para frear as mudanças climáticas, que podem comprometer a nossa existência no futuro.

Flora e Fauna da Amazônia
Flora e Fauna da Amazônia

Ou seja, estamos colocando em risco a humanidade e muitas outras espécies no planeta. Isso é gravíssimo. Portanto, precisamos difundir cada vez mais os malefícios que a agressão às florestas tem causado para o clima, gerando consequências muito negativas que já são sentidas por todos.

Temos de sensibilizar mais e mais pessoas para esse problema e garantir que a legislação existente seja cumprida. Nossa Constituição Federal e nossas leis são ótimas leis, mas infelizmente não conseguimos garantir que as normas vigentes sejam cumpridas.


Dra. Maria Tereza Jorge Pádua
Maria Tereza Pádua

Maria Tereza Jorge Pádua é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (UICN), do Conselho da Associação O Eco, e ex-presidente do IBAMA.
A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

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