Preguiça-de-coleira
Preguiça-de-coleira: mais rara das quatro espécies do seu gênero, a Bradypus torquatus está restrita ao remanescente da Mata Atlântica no sudoeste do Brasil, razão pela qual é considerada ameaçada de extinção.
Preguiça-de-coleira, mamífero da Mata Atlântica está ameaçado
23/6/2022 :: por Marco Pozzana, biólogo
Encontrada somente na Mata Atlântica da costa sudeste do Brasil, embora já tenha sido relatada mais ao norte, a preguiça-de-coleira tem sofrido declínio de suas populações.

Segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (IUCN), está ameaçada de extinção na categoria “vulnerável”. No entanto, a situação pode ser ainda mais grave desde a última atualização em 2013.
Destaca-se das outras espécies do gênero principalmente por seus pêlos longos e pretos no pescoço e na região dos ombros, característica que inspirou o seu nome popular. Estes pêlos negros formam uma mancha geralmente maior e mais escura nos machos do que nas fêmeas.
Os machos adultos têm um comprimento total de 55 a 72 cm, pesando de 4,0 a 7,5 kg. As fêmeas são geralmente maiores, medindo de 55 a 75 cm e pesando 4,5 a 10,1 kg.
A pelagem dos adultos é marrom-acinzentada, mas podem ficar esverdeadas devido à presença de algas simbiontes em suas pelagens. Também são comumente encontrados artrópodes como carrapatos, ácaros, besouros, entre outros.

Bradypus torquatus (Illiger, 1811)
São animais diurnos e solitários, não buscam contato com outros de sua espécie, exceto para a cópula. Passam de 60 a 80% do dia dormindo (com exceção do período de reprodução e da mãe com seu filhote), empenhando o tempo restante entre alimentação e deslocamento.
As preguiças dormem nas forquilhas das árvores ou penduradas pelas pernas nos galhos e enfiando a cabeça entre as patas dianteiras. São folívoras, se alimentando exclusivamente de folhas de árvores e cipós, especialmente a embaúba (Cecropia).
Raramente descem das árvores porque são muito desajeitadas em superfície plana, podendo somente se arrastar com as patas e as garras. Quando o fazem, é somente para defecar ou para passar para outra árvore quando não podem fazê-lo através dos galhos. Na água são bons nadadores.
Conservação
As populações desta espécie tem passado por um longo declínio, à medida que suas florestas são derrubadas ou degradadas — a maior ameaça para a preguiça-de-coleira — principalmente pela extração de madeira, produção de carvão e agricultura e pastagens de gado. A caça também é uma ameaça presente.
A fragmentação de habitats isola as populações, levando à uma variabilidade genética reduzida, aumentando a possibilidade de doenças e dificultando a persistência das mesmas.
Fontes e referências:
- Hayssen, V. (2009). “Bradypus torquatus (Pilosa: Bradypodidae)”. Mammalian Species. doi:10.1644/829.1 (em inglês)
- Chiarello, Adriano G. (September 1998b). “Diet of the Atlantic forest maned sloth Bradypus torquatus“. Journal of Zoology. doi:10.1111/j.1469-7998.1998.tb00127.x. (em inglês)
- Gardner, Alfred (2008). Mammals of South America: Marsupials, xenarthrans, shrews, and bats. Vol. 1. ISBN 978-0-226-28242-8. (em inglês)
- Maned sloth – Wikipedia.org (em inglês).
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Chiarello, A. & Moraes-Barros, N. 2014. Bradypus torquatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2014: e.T3036A47436575. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2014-1.RLTS.T3036A47436575.en. Accessed on 24 June 202 (em inglês).