Tamanduaí, o menor dos tamanduás
Tamanduaí: pequeno tamanduá arborícola, a espécie — Cyclopes didactylus — é pouco conhecida e estudada. É encontrada no norte e nordeste do Brasil e certas áreas florestais do Suriname, Guiana Francesa, Venezuela e ilha de Trindade
Tamanduaí, o menor dos tamanduás
2/6/2022 :: por Marco Pozzana, biólogo
Entre as espécies vivas de tamanduá, o Cyclopes didactylus é o menor representante, com um tamanho médio de 36 a 45 cm. O tamanho diminuto lhe rendeu um de seus nomes populares: tamanduazinho. Outros nomes vulgares são tamanduá-seda e tamanduá-cigarra.

Como tem hábito solitário, noturno e arborícola, descendo próximo ao solo somente em ocasiões raras, o contato com humanos é muito limitado, fato que torna a espécie pouco conhecida e difícil de ser estudada na natureza.
Um estudo publicado no final de 2017 apontou que o tamanduaí não tem uma única espécie, mas pelo menos sete. A descrição das novas espécies é fruto do trabalho da veterinária Flávia Miranda, do Laboratório de Biodiversidade e Evolução Molecular da UFMG.
Outras características do C. didactylus
A pelagem é curta, densa e macia, variando do cinza ao amarelado, com um brilho prateado. É comum em subespécies a presença de listras escuras, muitas vezes acastanhadas. Os olhos são pretos e as solas dos pés são avermelhadas.
As patas traseiras são bem adaptadas para escalar as árvores. Eles têm caudas parcialmente preênsil que também auxilia no deslocamento.
A dieta consiste principalmente de formigas, ingerindo entre 700 e 5.000 indivíduos por dia, utilizando para tal sua língua longa e pegajosa. Se alimentam também de outros insetos, como cupins e besouros, além de vespas, as quais preferem atacar o vespeiro à noite, quando estas estão mais vulneráveis.
Dá à luz a um único filhote, até duas vezes por ano. O filhote já nasce peludo, e demanda intensos cuidados, sendo normalmente colocado dentro de um ninho de folhas mortas construído em cavidades de árvores. A prole inicialmente alimenta-se de insetos regurgitados pelos pais.

Um mamífero pouco estudado
Embora o risco de extinção tenha sido avaliado como ‘pouco preocupante’ pela IUCN, as ameaças para as populações tem aumentado. Entre essas, a redução e fragmentação de suas florestas devido ao desmatamento e a incêndios. A expansão da agricultura e a captura do tamanduaí são outras ameaças presentes.
É preciso que mais estudos sejam feitos com o tamanduazinho, para que possamos conhecer melhor as populações e seus hábitos. Assim será possível conseguir mais apelo para esforços na proteção necessária para uma espécie tão enigmática, assim como para as suas florestas.
Fontes e referências:
- Miranda, F.; et al. (2009). “Food habits of wild silky anteaters (Cyclopes didactylus) of São Luis do Maranhão, Brazil”. Edentata. doi:10.1896/020.010.0109. hdl:11336/80378 (em inglês).
- Miranda, F.R.; Casali, D.M.; Perini, F.A.; Machado, F.A.; Santos, F.R. (2017). “Taxonomic review of the genus Cyclopes Gray, 1821 (Xenarthra: Pilosa), with the revalidation and description of new species”. Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlx079.
- Miranda, F., Meritt, D.A., Tirira, D.G. & Arteaga, M. 2014. Cyclopes didactylus. The IUCN Red List of Threatened Species 2014: e.T6019A47440020. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2014-1.RLTS.T6019A47440020.en. Accessed on 02 June 2022. (em inglês).